{"id":1506,"date":"2013-05-31T07:00:37","date_gmt":"2013-05-31T10:00:37","guid":{"rendered":"http:\/\/www.proma.com.br\/blog\/equilibrio\/?p=1506"},"modified":"2013-05-31T07:00:37","modified_gmt":"2013-05-31T10:00:37","slug":"angustia-e-doenca-e-tem-cura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.proma.com.br\/blog\/angustia-e-doenca-e-tem-cura\/","title":{"rendered":"Ang\u00fastia \u00e9 doen\u00e7a e tem cura"},"content":{"rendered":"<p><em>Por Adriana Toledo\u00a0\u00a0<\/em><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.proma.com.br\/blog\/media_equilibrio\/files\/2013\/04\/16.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-1507\" title=\"1\" src=\"http:\/\/www.proma.com.br\/blog\/media_equilibrio\/files\/2013\/04\/16-420x336.jpg\" alt=\"\" width=\"420\" height=\"336\" \/><\/a>Chego pela manh\u00e3 ao complexo do Hospital das Cl\u00ednicas, em S\u00e3o Paulo, e me dirijo ao primeiro andar do pr\u00e9dio do Instituto de Psiquiatria, onde sou recebida pelo chefe do departamento, o psiquiatra Valentim Gentil. Nosso objetivo \u00e9 definido: caracterizar, com elementos concretos, o conceito de ang\u00fastia. A miss\u00e3o \u00e9 \u00e1rdua. &#8220;Diferentemente do medo ou da ansiedade, que s\u00e3o experimentados pela maioria das pessoas, a ang\u00fastia acomete menos de 50% da popula\u00e7\u00e3o. E nunca tive essa experi\u00eancia, o que dificulta a tarefa de descrev\u00ea-la com precis\u00e3o&#8221;, confessa. &#8220;Em geral, meus pacientes relatam uma agonia mental sem gatilho aparente, atrelada a um sufoco semelhante ao da asma, e uma dor ou compress\u00e3o no peito&#8221;, descreve.<\/p>\n<p>Incentivar o diagn\u00f3stico e um tratamento personalizado \u00e9 a proposta de Gentil, que assina o artigo intitulado Why Anguish? \u2014 em portugu\u00eas, Por que ang\u00fastia? \u2014, que acaba de ser divulgado na publica\u00e7\u00e3o cient\u00edfica inglesa Journal of Psychopharmacology. Isso porque, nas discuss\u00f5es entre especialistas do mundo todo, o sentido dessa emo\u00e7\u00e3o se esvaziou ao longo do tempo. E frequentemente ela \u00e9 confundida com o dist\u00farbio de ansiedade ou de p\u00e2nico. &#8220;Mas s\u00e3o comportamentos mentais diferentes, com padr\u00f5es de ativa\u00e7\u00e3o cerebral distintos&#8221;, defende Gentil. &#8220;A ansiedade \u00e9 uma apreens\u00e3o exagerada em rela\u00e7\u00e3o ao futuro, enquanto a ang\u00fastia \u00e9 um sofrimento relacionado ao presente.&#8221;<\/p>\n<p>Munida dos esclarecimentos sobre as manifesta\u00e7\u00f5es f\u00edsicas do sintoma, sigo ao consult\u00f3rio da psicanalista paulistana Maria de Lourdes F\u00e9lix, que auxilia Gentil nas pesquisas sobre a face psicol\u00f3gica da ang\u00fastia. &#8220;Meus pacientes costumam levar as m\u00e3os ao peito e reportar um sentimento de vazio. Sentem conflitos diante das in\u00fameras possibilidades de escolhas no dia a dia e questionam o sentido de sua exist\u00eancia&#8221;, conta. &#8220;Em casos extremos, essas pessoas s\u00e3o dominadas pela introvers\u00e3o. Elas perdem a capacidade de an\u00e1lise, de lidar com o cotidiano, de interagir socialmente. Ficam paralisadas.&#8221;<\/p>\n<p>\u00c0 luz do fil\u00f3sofo dinamarqu\u00eas Soren Kierkegaard (1813-1855), a psic\u00f3loga Mar\u00edlia Dantas, da Universidade Est\u00e1cio de S\u00e1, em Petr\u00f3polis, na regi\u00e3o serrana do Rio de Janeiro, traduz o mal-estar: &#8220;O ser humano sente desamparo, incerteza, falta de controle diante da liberdade de decidir. Optar por um caminho significa correr riscos, abrir m\u00e3o das alternativas. Isso \u00e9 angustiante&#8221;.<\/p>\n<p>Reconhecer um quadro de ang\u00fastia \u00e9 uma fun\u00e7\u00e3o que cabe a especialistas. Mas os angustiados de plant\u00e3o podem contribuir, fornecendo detalhes de como se sentem. \u00c9 o que constatei nas conversas durante os trajetos de consult\u00f3rio em consult\u00f3rio. A pergunta que fiz a motoristas, recepcionistas, colegas e pedestres com quem cruzei no caminho era sempre a mesma: o que \u00e9 ang\u00fastia para voc\u00ea? As respostas variaram. &#8220;\u00c9 pensar como seria minha vida se eu tivesse estudado psicologia.&#8221; Ou &#8220;\u00c9 um beco sem sa\u00edda dentro do peito&#8221;. Ou ainda &#8220;\u00c9 uma incerteza sobre as consequ\u00eancias das decis\u00f5es que tomei&#8221;.<\/p>\n<p>Infelizmente, a maioria dos angustiados s\u00f3 procura ajuda especializada quando a sensa\u00e7\u00e3o ruim beira o insuport\u00e1vel. &#8220;Eles chegam ao pronto-socorro com dor e opress\u00e3o no t\u00f3rax, peso e desconforto no peito&#8221;, confirma o cardiologista C\u00e9sar Jardim, supervisor do pronto-socorro do Hospital do Cora\u00e7\u00e3o, em S\u00e3o Paulo. Os sintomas se assemelham aos de problemas cardiol\u00f3gicos, como infarto. &#8220;Mas os problemas cardiovasculares s\u00f3 se confirmam em 30% dos casos&#8221;, estima. Ele conta que, depois de realizar exames e apontar que o sujeito est\u00e1 em condi\u00e7\u00f5es perfeitas de sa\u00fade, os pacientes confessam que v\u00eam se sentindo nervosos e&#8230; angustiados.<\/p>\n<p>Quando \u00e9 assim, exclu\u00edda a presen\u00e7a de doen\u00e7as f\u00edsicas, o passo seguinte deveria ser a visita a um psiquiatra. &#8220;H\u00e1 hip\u00f3teses de que a ang\u00fastia seja desencadeada por uma maior ativa\u00e7\u00e3o de uma regi\u00e3o chamada \u00ednsula, no c\u00f3rtex cerebral, relacionada \u00e0 percep\u00e7\u00e3o de fun\u00e7\u00f5es viscerais, como as do cora\u00e7\u00e3o, do diafragma e dos pulm\u00f5es&#8221;, explica Valentim Gentil. &#8220;Por isso, acreditamos que suas v\u00edtimas possam responder bem a calmantes chamados benzodiazep\u00ednicos, a alguns antipsic\u00f3ticos e a uma classe de antidepressivos conhecida como tric\u00edclicos&#8221;, continua. &#8220;A imipramina \u00e9 um dos principais medicamentos desse grupo e se mostra eficaz, apesar de promover eventuais efeitos colaterais, como tonturas e altera\u00e7\u00f5es card\u00edacas&#8221;, completa seu colega Jair Mari, da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo. Essa droga modula neurotransmissores como a noradrenalina, subst\u00e2ncias que agem no c\u00e9rebro e controlam as emo\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O ideal \u00e9 complementar esse tratamento com o de um psic\u00f3logo ou psicanalista. &#8220;Trabalhamos o desenvolvimento emocional, fazendo com que o paciente reflita e traduza seus pensamentos, criando condi\u00e7\u00f5es para contornar sentimentos que julga insuport\u00e1veis&#8221;, explica Maria de Lourdes. A ang\u00fastia \u00e9, portanto, um problema de sa\u00fade e necessita de acompanhamento. Se ela anda sufocando-o, chega de sofrer em sil\u00eancio: busque aux\u00edlio e afrouxe, de vez, esse n\u00f3 dentro do peito.<\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"http:\/\/saude.abril.com.br\/edicoes\/0324\/bem_estar\/conteudo_563179.shtml\" target=\"_blank\">Revista Sa\u00fade <\/a><br \/>\n<a href=\"http:\/\/estudandopsicologia.files.wordpress.com\/2011\/10\/angustia.jpg\" target=\"_blank\">Cr\u00e9dito da fotografia<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Adriana Toledo\u00a0\u00a0 Chego pela manh\u00e3 ao complexo do Hospital das Cl\u00ednicas, em S\u00e3o Paulo, e me dirijo ao primeiro andar do pr\u00e9dio do Instituto de Psiquiatria, onde sou recebida pelo chefe do departamento, o psiquiatra Valentim Gentil. 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