{"id":955,"date":"2012-10-29T07:30:56","date_gmt":"2012-10-29T09:30:56","guid":{"rendered":"http:\/\/www.proma.com.br\/blog\/equilibrio\/?p=955"},"modified":"2012-10-29T07:30:56","modified_gmt":"2012-10-29T09:30:56","slug":"fibromialgia-como-os-medicos-fazem-o-diagnostico-da-doenca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.proma.com.br\/blog\/fibromialgia-como-os-medicos-fazem-o-diagnostico-da-doenca\/","title":{"rendered":"Fibromialgia: como os m\u00e9dicos fazem o diagn\u00f3stico da doen\u00e7a?"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/www.proma.com.br\/blog\/media_equilibrio\/files\/2012\/08\/get17.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-956\" title=\"get\" src=\"http:\/\/www.proma.com.br\/blog\/media_equilibrio\/files\/2012\/08\/get17-420x294.jpg\" alt=\"\" width=\"420\" height=\"294\" \/><\/a><\/p>\n<p>Uma dor cr\u00f4nica e difusa ataca m\u00fasculos, articula\u00e7\u00f5es, ligamentos e tend\u00f5es. A sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 de peso, aperto, facada, fisgada ou queima\u00e7\u00e3o, e o paciente fica confuso porque nem consegue entender de onde exatamente o inc\u00f4modo vem. Assim, \u00e9 comum dizer que d\u00f3i tudo. As suspeitas, ent\u00e3o, come\u00e7am a transitar entre doen\u00e7as degenerativas, dist\u00farbios glandulares, inflama\u00e7\u00f5es, problemas \u00f3sseos&#8230; S\u00e3o pelo menos sete anos de sofrimento at\u00e9 encontrar al\u00edvio, segundo pesquisas que estimaram o tempo entre os primeiros sintomas e o tratamento da fibromialgia, mal que acomete quase cinco milh\u00f5es de brasileiros, a maioria mulheres \u2013 s\u00e3o oito para cada homem.<\/p>\n<p>A \u00faltima pesquisa, divulgada em novembro pela Sociedade Brasileira de Reumatologia, ouviu 500 pacientes atendidos em hospitais p\u00fablicos e privados. A demora em procurar aux\u00edlio foi de cerca de dois anos e meio. \u201cA paciente alega que \u00e9 forte e s\u00f3 vai ao m\u00e9dico quando a dor fica intoler\u00e1vel\u201d, diz o reumatologista Eduardo Paiva, chefe do Ambulat\u00f3rio de Fibromialgia do Hospital das Cl\u00ednicas da Universidade Federal do Paran\u00e1. A\u00ed tem in\u00edcio uma longa peregrina\u00e7\u00e3o que consome, em m\u00e9dia, cinco anos. O Harris Interactive, instituto americano de pesquisa, entrevistou 904 pessoas no Brasil, no M\u00e9xico e na Venezuela, sendo 300 pacientes e 604 cl\u00ednicos gerais, reumatologistas, neurologistas e psiquiatras. A conclus\u00e3o, publicada no ano passado, \u00e9 que o fibromi\u00e1lgico consulta, em m\u00e9dia, sete especialistas at\u00e9 chegar ao tratamento correto. O atraso \u00e9 atribu\u00eddo \u00e0 falta de informa\u00e7\u00e3o dos pacientes (70% nunca ouviram falar da s\u00edndrome) e dos m\u00e9dicos (84% reconheceram que ainda n\u00e3o est\u00e3o familiarizados com ela).<\/p>\n<p><strong>Um jogo de xadrez\u00a0\u00a0<\/strong><br \/>\nA fibromialgia foi descrita e nomeada s\u00f3 em 1990. O complicador para sua identifica\u00e7\u00e3o \u00e9 que os pacientes mant\u00eam apar\u00eancia saud\u00e1vel e os exames apresentam resultados normais. Isso porque n\u00e3o h\u00e1 um teste espec\u00edfico, um marcador no sangue ou na urina que aponte a presen\u00e7a dela. As pesquisas por meio de imagens (radiografias e at\u00e9 resson\u00e2ncia magn\u00e9tica) tamb\u00e9m n\u00e3o detectam altera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Elas s\u00f3 aparecem em tomografias por emiss\u00e3o de p\u00f3sitrons, capazes de flagrar o c\u00e9rebro funcionando em tempo real \u2013 a\u00ed as partes encarregadas de interpretar o est\u00edmulo doloroso revelam-se muito mais ativas que o habitual.<\/p>\n<p>Mas esses exames n\u00e3o s\u00e3o rotineiros e s\u00f3 podem ser feitos em grandes centros de pesquisa. \u00c9 comum ent\u00e3o parecer que n\u00e3o h\u00e1 nada de errado. Assim, familiares, amigos e at\u00e9 m\u00e9dicos come\u00e7am a achar que \u00e9 \u201cpsicol\u00f3gico\u201d, \u201cum exagero\u201d, \u201cum pedido de aten\u00e7\u00e3o\u201d. \u201cMinha m\u00e3e me chamava de Maria das Dores desde que eu era crian\u00e7a. Uma hora era a coluna, depois a perna ou o pesco\u00e7o\u201d, conta a professora paulista Suely Colalto, 54 anos, casada, dois filhos. O motivo das queixas s\u00f3 foi descoberto d\u00e9cadas depois. \u201cTive fortes dores no peito e fui internada com suspeita de infarto. Passei dois dias sob investiga\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o acharam nada. At\u00e9 que um m\u00e9dico suspeitou de fibromialgia. Enfrentei mais dois anos de dores at\u00e9 acertar o tratamento\u201d.<\/p>\n<p>O diagn\u00f3stico \u00e9 como um jogo de xadrez. Segundo Paiva, \u00e9 preciso excluir doen\u00e7as graves que provocam sintomas semelhantes, como hipotireoidismo, dist\u00farbio em que a gl\u00e2ndula tireoide opera em ritmo lento, e artrite reumatoide, em que o sistema imunol\u00f3gico ataca as articula\u00e7\u00f5es. At\u00e9 a car\u00eancia de vitamina D pode gerar um quadro similar. \u201cO diagn\u00f3stico requer muita conversa e um bom exame f\u00edsico, o que demanda tempo\u201d, diz ele. \u201cE os pacientes t\u00eam pressa.\u201d<\/p>\n<p>Dois medicamentos foram aprovados para controle da fibromialgia: o antidepressivo duloxetina e o neuromodulador pregabalina. Apesar de ambos atenuarem a sensa\u00e7\u00e3o desconcertante da doen\u00e7a, o primeiro \u00e9 mais indicado para quem tem depress\u00e3o; e o segundo, formigamentos e queixas de sono n\u00e3o repousante. Conforme os sintomas, podem ser prescritos outros antidepressivos. Afinal, cada caso \u00e9 \u00fanico. Tanto que, para tratar problemas associados \u00e0 doen\u00e7a, os m\u00e9dicos podem prescrever tamb\u00e9m relaxantes musculares (tizanidina) ou indutores de sono (zolpidem), analg\u00e9sicos comuns (paracetamol) e opi\u00e1ceos (tramadol). \u201cMas todos os medicamentos provocam efeitos colaterais, em maior ou menor grau, e s\u00f3 devem ser usados com rigoroso acompanhamento m\u00e9dico\u201d, diz Evelin. Um erro comum do paciente \u00e9 tomar anti-inflamat\u00f3rios, como os corticosteroides, que s\u00e3o desaconselhados. De qualquer modo, tomar rem\u00e9dios n\u00e3o basta. \u00c9 necess\u00e1rio mudar o estilo de vida. Parar de fumar, por exemplo. O cigarro, j\u00e1 comprovou uma pesquisa da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, piora os sintomas.<\/p>\n<p><strong>Atividade f\u00edsica: uma aliada importante \u00a0<\/strong><br \/>\nA atividade f\u00edsica \u00e9 vista como aliada. Em estudo da Universidade Georgetown, em Washington, seis semanas de exerc\u00edcios aer\u00f3bicos melhoraram a dor e a mem\u00f3ria de mulheres com o mal.<\/p>\n<p>Praticar, por\u00e9m, requer ajuste fino. \u201cSe passar da conta, pode induzir a mais dor e, se for de menos, n\u00e3o adianta\u201d, avisa Paiva. Os exerc\u00edcios mais indicados s\u00e3o os aer\u00f3bicos moderados, como nata\u00e7\u00e3o e caminhada. J\u00e1 os de alongamento (hidrogin\u00e1stica, ioga, pilates) aliviam a tens\u00e3o do corpo, que agrava a dor. E os de fortalecimento muscular s\u00e3o ben\u00e9ficos somente para alguns pacientes.<\/p>\n<p>O programa ideal, portanto, \u00e9 individualizado e acompanhado por fisioterapeuta ou professor de educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica que conhe\u00e7a a doen\u00e7a. Como o stress \u00e9 not\u00f3rio desencadeador de crises, t\u00e9cnicas para reduzi-lo, como relaxamento e todo tipo de suporte psicol\u00f3gico, s\u00e3o bem-vindas.<\/p>\n<p>A terapia cognitiva comportamental (TCC) se destaca por redirecionar o foco dos pensamentos. \u201cEm geral, o paciente \u00e9 perfeccionista e tende a olhar as coisas pelo lado negativo\u201d, diz Paiva. \u201cA terapia ajuda a ver o mundo de outro modo, a se poupar diante de situa\u00e7\u00f5es que deflagram a dor e a criar estrat\u00e9gias para lidar melhor com ela.\u201d<\/p>\n<p>Pelo consenso de 2010, a fibromialgia n\u00e3o justifica o afastamento do emprego. Mas n\u00e3o \u00e9 o que pensam os pacientes. No estudo do Harris Interactive, 73% responderam que a qualidade do trabalho foi deteriorada pela s\u00edndrome, com preju\u00edzos para a carreira e a renda familiar.<\/p>\n<p>A funcion\u00e1ria p\u00fablica Sandra Santos, 50 anos, \u00e9 fundadora da Abrafibro, associa\u00e7\u00e3o que re\u00fane 1360 pessoas com esse problema nas redes sociais. Ela tem fibromialgia associada a h\u00e9rnia de disco. Dores lancinantes na coluna, pernas, bra\u00e7os e cabe\u00e7a a obrigaram a se licenciar. S\u00f3 voltou por imposi\u00e7\u00e3o do INSS, mas vivia na enfermaria. Teve de entrar na Justi\u00e7a para renovar a licen\u00e7a. Sua ONG luta para que a doen\u00e7a seja considerada incapacitante. \u201cH\u00e1 n\u00edveis diferentes de dor e sintomas, e alguns pacientes n\u00e3o saem da cama\u201d, justifica.<\/p>\n<p>Fonte: Cristina Nabuco \u2013 <a href=\"http:\/\/claudia.abril.com.br\/materia\/fibromialgia-conheca-a-doenca-que-atinge-oito-mulhers\/?p=\/saude\/prevencao-e-cura\" target=\"_blank\">Revista Cl\u00e1udia <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma dor cr\u00f4nica e difusa ataca m\u00fasculos, articula\u00e7\u00f5es, ligamentos e tend\u00f5es. A sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 de peso, aperto, facada, fisgada ou queima\u00e7\u00e3o, e o paciente fica confuso porque nem consegue entender de onde exatamente o inc\u00f4modo vem. 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